Palavra do Bispo

                                        Igreja – Casa da Iniciação à vida cristã

Este ano, celebramos vinte anos da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a América e dez anos da Conferência de Aparecida. A Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a América foi uma iniciativa de São João Paulo II, celebrada entre os meses de novembro e dezembro de 1997, e teve como tema: Encontro com Jesus Cristo vivo, caminho para a conversão, a comunhão e a solidariedade na América.
Nesta Assembleia Sinodal, os bispos salientam a necessidade de renovar a Paróquia para fortalecer os vínculos de comunhão entre todos os fiéis. Reconhecem que a Paróquia atravessa por vezes dificuldades no desempenho da própria missão e ressaltam que as paróquias são chamadas a ser acolhedoras e solidárias, lugar da iniciação cristã, da educação e da celebração da fé, abertas….. (Ecclesia in America, 41).
Em 2007, os Bispos, reunidos em Aparecida, retomaram o tema da Paróquia e sua necessária renovação, que não se concentra em trocar o telhado ou a pintura da Igreja, mas é o de uma corajosa ação renovadora das paróquias, a fim de que sejam de verdade “espaços da iniciação cristã, da educação e celebração da fé” (Documento de Aparecida, 170).
Mas por que falar de iniciação à vida cristã em 2017? Porque são muitos os cristãos que não participam na Eucaristia dominical nem recebem com regularidade os sacramentos, nem se inserem ativamente na comunidade eclesial. Sem esquecer a importância da família na iniciação cristã, este fenômeno nos desafia profundamente a imaginar e organizar novas formas de aproximação deles para ajudá-los a valorizar o sentido da vida sacramental, da participação comunitária e do compromisso cidadão. Temos uma alta porcentagem de católicos sem consciência de sua missão de ser sal e fermento no mundo, com uma identidade cristã fraca e vulnerável (Documento de Aparecida, 286).
O desconhecimento e afastamento da fé são desafios que nos questionam profundamente e são desafios, como disseram os bispos, que devemos encarar com decisão, com coragem e criatividade, visto que em muitas partes a iniciação cristã tem sido pobre e fragmentada. Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para seu seguimento, ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora (Cf. Documento de Aparecida, 287).
Em nossa Arquidiocese estes desafios são encarados como urgência no 12o Plano de Pastoral: Igreja – Casa da iniciação à vida cristã: “É necessário desenvolver em nossas Paróquias e Comunidades, um processo de iniciação à vida cristã que conduza ao encontro pessoal com Jesus Cristo”.
Nossa Região Episcopal Sant`Ana vai disponibilizar um itinerário a percorrer para que esta urgência possa ser efetivamente atendida. É a Igreja em saída missionária, consciente que o ser humano precisa sempre mais de Cristo, e a Paróquia não pode deixar que alguém se contente com pouco, mas possa dizer com plena verdade: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gal 2, 20) Cf. EG 160).

Dom Sergio de Deus Borges
Bispo Auxiliar de São Paulo
Vigário Episcopal para a Região Sant’Ana

     

 

 

 

 

 

Viva a Mãe de Deus e nossa!

Nós católicos brasileiros estamos celebrando o ano jubilar mariano, por ocasião do terceiro centenário do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida no Rio Paraíba.
O encontro da imagem pelos três pescadores foi um tempo de graças e muitas bênçãos, confirmado pela pesca abundante que realizaram imediatamente após a presença da pequena imagem em suas redes.
Durante estes trezentos anos, o encontro com a Mãe Aparecida, na pequena imagem em Aparecida, tem repetido aquele primeiro milagre: graças e bênçãos para todos aqueles que pedem a intercessão da Mãe de Deus e nossa, que jogam as redes em suas águas.
Neste ano jubilar, o Papa Francisco concedeu uma graça especial aos devotos e romeiros de Nossa Senhora Aparecida: a indulgência. Pela indulgência a Igreja ensina que o ‘cristão que procura purificar-se do seu pecado e santificar-se com a ajuda da graça de Deus, não se encontra só. A vida de cada um dos filhos de Deus está ligada de modo admirável, em Cristo e por Cristo, à vida de todos os outros irmãos cristãos, na unidade sobrenatural do corpo Místico de Cristo, como que numa pessoa mística’ (Catecismo da Igreja Católica, 1474).
Para alcançar a indulgência plenária para si ou para um fiel falecido, além da peregrinação, é ‘necessário atender às condições habituais: arrependimento sincero dos pecados, confissão sacramental, comunhão eucarística, recitação do Creio, oração nas intenções do Papa e da Igreja e a prática das obras de caridade e misericórdia. O Papa Francisco também recomenda a especial oração a Nossa Senhora Aparecida em defesa das famílias’ (Cardeal Odilo Pedro Scherer, Carta Pastoral, pg. 15).
Seria tão bonito se todos os devotos da Mãe de Deus e nossa pudessem ir até a Casa da Mãe para agradecer as graças recebidas e pedir a benção para as famílias e todas as suas atividades, projetos, sonhos e alcançar indulgências! Nem todos conseguirão, pelos motivos mais diversos, mas todos poderão receber graças especiais (indulgências) nas igrejas dedicadas a Nossa Senhora Aparecida por todos os rincões do imenso e amado Brasil. Aqui, em nossa Região Episcopal, poderemos receber indulgências nas igrejas paroquiais dedicadas a Nossa Senhora Aparecida.
Realizemos um gesto terno de amor: vamos levar ao encontro de Nossa Senhora Aparecida nossos familiares idosos, enfermos e com dificuldade de locomoção; sejamos solidários: levemos ao encontro da Mãe nossos vizinhos que não conseguem caminhar sozinhos ou não têm mais ninguém para olhar por eles, o olhar da mãe volta-se para nós e eles; testemunhemos a fé: convidemos para peregrinar a uma Igreja dedicada à Nossa Senhora Aparecida nossa família, nossos filhos, netos e seus amigos.
Sejamos ousados no convite e na peregrinação, são trezentos anos de bênçãos e este rio de bênçãos, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, precisa ser partilhado. Nele, com fé, todos podem jogar as redes que terão pesca abundante.

Dom Sergio de Deus Borges
Bispo Auxiliar de São Paulo
Vigário Episcopal para a Região Sant`Ana

 

 

 

 

                                                         A Cruz….
    Existe uma corrente de pensamento e ação bastante organizada em nossa sociedade que se articula para “dissipar o valor da CRUZ, esvaziá-la do seu significado, negando que o homem possa encontrar nela as raízes da sua nova vida” (São João Paulo II, Ut Unun Sint, 01). E nunca tanto como hoje o ser humano tem tido necessidade da força e da sabedoria de Deus, que procedem da Cruz gloriosa e bendita. A Cruz está presente em nossa vida, está inscrita na nossa existência como nos ensinou o divino Mestre: “Se alguém quiser vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me” (Mt 16, 24-25).

Querer excluí-la é como desejar ignorar a realidade humana. Deus nos criou para a vida, mas nossa caminhada é marcada pelo sofrimento e pela provação. Experimentamos a realidade da Cruz todos os dias: dificuldades na família, no estudo, no trabalho, nos relacionamentos. Será sinal de maturidade acolher a Cruz. A Cruz deve ser acolhida, em primeiro lugar, no coração transformando a existência, para ser carregada por toda a vida. É um estilo responsável de vida: “Procedei de modo que todos reconheçam que trazeis não só interior, mas ainda exteriormente, a imagem de Cristo Crucificado, modelo de toda doçura e mansidão” (GIORDANO, L., 1013).

O Apóstolo Paulo levou tão a sério este princípio que disse: “Estou pregado à cruz de Cristo” (Gl 2,19). Jesus não nos engana, Ele não nos deixa sozinhos na cruz, Ele sabe transformar a provação em esperança. São Paulo experimentou o amor fiel de Jesus que não o abandonou nas horas mais sombrias e testemunhou: “A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina” (1Cor 1,18).

A Cruz de Cristo dá sempre renovados frutos de salvação. São Leão Magno diz que a “Cruz é fonte de todas as bênçãos e origem de todas as graças. Por ela, os que creem recebem na sua fraqueza a força, na humilhação, a glória, na morte, a vida” (São Leão Magno, Liturgia das Horas, II, p. 322). O cristão que olha com confiança para a Cruz, recebe do Senhor a coragem e o vigor para caminhar com fidelidade na estrada da vida. Percorrendo o caminho quaresmal em direção à Paixão do Senhor e gloriosa Ressurreição, vamos nos colocar aos pés da Cruz de Jesus, como outrora a Virgem Maria, João, Maria Madalena e outras mulheres se colocaram e contemplar o mistério do amor de Deus por nós. Contemplando o Mistério, vamos proclamar com vigor “Cristo Crucificado – escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1Cor 1,23.24) – e pedir a graça de assumir com novo vigor e nova esperança a nossa cruz de cada dia.

 
Dom Sérgio de Deus Borges, Bispo auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Sant’Ana

 

 

 

 

 

Quem é misericordioso com as crianças?

Lendo um recente estudo sobre a família e a necessária misericórdia com as famílias desfeitas pela separação e pelo divórcio, deparei-me com um questionamento do Cardeal Christoph Schönborn que deixou-me intrigado: “Diante de uma separação quem é misericordioso com as crianças, os filhos?”
Compreendemos as situações conflituosas que atravessam os cônjuges, as feridas abertas por uma separação e a Igreja deve ajudar os pais separados a curar as próprias feridas, mas precisamos recordar um princípio fundamental da família: o vínculo entre os pais e os filhos é indissolúvel e os pais devem ser os primeiros a exercer a misericórdia em relação às crianças.
Afirmamos que “os pais” têm a responsabilidade, porque a separação não gera uma ruptura total das relações, mas uma transformação da mesma e os pais, mesmo separados, precisam assumir o cuidado de seus filhos, como centro de sua missão, caso queiram exercer a misericórdia com as reais vítimas inocentes da situação.
De fato, as primeiras vítimas de uma separação são as crianças que tinham a alegria da presença dos pais e, de uma ora para outra, devem sofrer com a ausência do pai ou da mãe; em não poucos casos as crianças precisam aprender a conviver com um tio, uma tia, ou o novo companheiro da mãe ou a nova companheira do pai.
Há ainda situações graves e verdadeira falta de misericórdia quando um dos cônjuges faz uma guerra afetiva contra o outro cônjuge, instrumentalizando os filhos, lançando sobre as crianças o peso da amargura e o rancor que está no próprio coração. “Muitas vezes peca-se gravemente neste sentido, tornando-se necessário recordar: não mateis os vossos filhos com os vossos problemas pessoais! Eles não devem ser reféns das vossas discórdias. Convertê-los em reféns é um crime contra a alma dos pequenos” (Christoph Schönborn, 192).
Os pais que se separaram precisam individualmente se perguntar: como tenho agido como meus filhos de uma união precedente? Tenho dado atenção, carinho e amor aos meus filhos? Esforcei-me em dialogar com meu ex-cônjuge em vista do bem de meus filhos? Assumi minha parcela de culpa pela separação?
Ser misericordioso com as crianças é colaborar com o ex-cônjuge para garantir a presença paterna/materna sem ressentimento ou revanchismo; é permitir aos filhos o acesso  à história das famílias de origem, condição fundamental para o desenvolvimento de sua identidade (Cf. Raffaella Iafrate, 371). “A histórias dos idosos fazem muito bem às crianças e aos jovens, porque os ligam à história vivida tanto pela família como pela vizinhança e o país” (AL 193).
O caminho da misericórdia exige refletir sobre estas questões fundamentais, exige passar por um processo de cura para continuar a proteger e fortalecer no amor as crianças, não acrescentando outros pesos àqueles que os filhos, nestas situações, já têm que suportar.
Sejam misericordiosos como vosso Pai é misericordioso.

Dom Sergio de Deus Borges
Bispo Auxiliar de São Paulo
Vigário Episcopal para a Região Sant`Ana

 

 

 

Uma alegria que deve ser partilhada….


        O santo Evangelho proclamado no segundo domingo do tempo comum, no corrente ano, qualifica João Batista como o ‘apresentador’, a testemunha de Jesus. João está às margens do Rio Jordão convidando as pessoas à conversão e batizando todos os que acolhem o convite para uma vida nova. João era um homem austero e sério, mas quando João vê Jesus chegar é tomado de uma alegria nova que o leva espontaneamente a apresentar a todos o Cordeiro de Deus que avista de longe. Foi muito grande sua alegria de estar, finalmente, diante daquele que esperava a anos, desde quanto tinha exultado no seio de Isabel (Lc 1,44).

E João não para neste encontro, seu testemunho continua no dia seguinte, quando exclama outra vez: “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1,36). A alegria de São João de estar diante do Filho de Deus contagiou seus discípulos, dentre eles, André, que foi o primeiro a decifrar o anúncio, traduzindo-o noutro, ao informar o seu irmão Simão Pedro sobre o que acontecera: “Encontramos o Messias” (Jo 1,41). Contemplando o testemunho de São João devemos voltarmos para o dia de hoje. Todos os domingos temos a alegria de estar diante do Filho de Deus, na Santa Missa.

São João Paulo 2º diz: “Quão eloquente é o fato que toda vez que participamos da Santa Missa ouvimos as palavras pronunciadas por João no Jordão, – Eis o Cordeiro de Deus – quando devemos aproximar-nos para receber Cristo nos nossos corações com a Comunhão eucarística!” (Cf. Homilia 18.01.1981). Ver pela fé Jesus na santa Missa como São João o viu no Jordão nos faz transbordar de alegria e gratidão, e esta alegria é participada por nós sempre e exclusivamente por obra de Jesus Cristo — o Cordeiro de Deus.

Esta alegria é fonte de missão, porque nos dá a graça de ver o Senhor e testemunhar o que vimos. A alegria de João foi missionária, encantou o discípulo que se tornou missionário. O encontro com Jesus gera uma alegria que por si mesma é missionária, porque esta alegria “baseia-se no amor do Pai, na participação no mistério pascal de Jesus Cristo que, pelo Espírito Santo, faz-nos passar da morte para a vida, da tristeza para a alegria, do absurdo para o sentido profundo da existência, do desalento para a esperança que não engana. Esta alegria não é um sentimento artificialmente provocado nem um estado de ânimo passageiro. O amor do Pai nos foi revelado em Cristo que nos convida a entrar em seu reino. Ele nos ensinou a orar dizendo ´Abba, Pai´(Rm 8,15; cf. Mt 6,9)” (DAp. 17).

O ano pastoral está apenas começando e qual será nossa alegria neste ano? Qual será nosso tesouro? Qual será nossa prioridade? “Não temos outro tesouro a não ser este. Não temos outra felicidade nem outra prioridade que não seja sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não obstante todas as dificuldades e resistências. Este é o melhor serviço – seu serviço! – que a Igreja tem que oferecer às pessoas” (DAp. 14).

 

 

 

 

Dom Sérgio de Deus Borges Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

2017: Paz, prosperidade e benção Abriu-se o ano de 2017

e foram muitos os votos de paz, prosperidade e bênçãos que recebemos e desejamos às pessoas de nosso convívio. Fizemos nossos o canto e a mensagem do anjo do Senhor aos pastores na noite de Natal, nos arredores de Belém: ‘Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens que Ele ama’ (Lc 2,14). O início do ano é, realmente, o momento apropriado para se desejar a paz às pessoas. Mas a paz não pode permanecer somente um desejo ou voto, ela precisa ser construída, durante todo o ano, por cada um de nós, a partir do recanto mais íntimo de nossa vida, a família. O Papa Francisco, na mensagem para o dia mundial da Paz, assim se expressou: “Se a origem donde brota a violência é o coração humano, então é fundamental começar por percorrer a senda da não-violência dentro da família. É uma componente daquela alegria do amor que apresentei na Exortação Apostólica Amoris laetitia. Esta constitui o cadinho indispensável no qual, cônjuges, pais e filhos, irmãos e irmãs aprendem a comunicar e a cuidar uns dos outros desinteressadamente e onde os atritos, ou mesmo os conflitos, devem ser superados, não pela força, mas com o diálogo, o respeito, a busca do bem do outro, a misericórdia e o perdão”. No início do ano desejamos também prosperidade. Quando pensamos em prosperidade, em geral, pensamos na prosperidade econômica e social e desejamos que as pessoas tenham melhores condições de vida. É justo pensar assim e desejar um tempo melhor e de menos aperto financeiro. Quando falamos de prosperidade devemos ir além, como bem recorda o Papa Emérito Bento XVI: ‘há riquezas preciosas na nossa vida que podemos perder e que não são materiais’. No entanto, devemos pensar em tantas pessoas que diante de graves perdas ou conflitos, ou por influência de ideologias, ou por afastamento da Comunidade decaíram duma situação de grande prosperidade, a alta dignidade cristã, perderam a orientação segura e firme da vida, se afastaram de Deus, perderam uma grande riqueza. Desejar prosperidade é desejar um novo encontro com Jesus, o Cristo, o Filho de Deus (cf Mc 1, 1), que pode voltar a recuperar a alta dignidade e ensinar-lhes a estrada. Desejamos a bênção, abençoamos e somos abençoados. A Igreja nos abençoa e devemos abrir o nosso coração ao fluxo sempre novo desta bênção. Ela traz em si uma força criadora, regeneradora, capaz de aliviar qualquer forma de cansaço e de garantir um vigor perene na nossa missão. Que Ele derrame sobre nós suas bênçãos e nos guarde sãos e salvos todos os dias deste ano.
Dom Sergio de Deus Borges Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Sant`Ana

 

 

 

O fim do ano…
Quando se aproxima o final do ano, muitas pessoas entram em uma espécie de frenesi, agitação diante das oportunidades perdidas no ano que está passando; outras entram em uma vivacidade excessiva e vão elaborando projetos que de per si serão irrealizáveis no próximo ano.   Há ainda aquelas que se escabelam para conseguir uma lembrança às pessoas queridas e se envolvem em dívidas que trarão muitas dores de cabeça até serem quitadas. Por fim, há muitas e muitas pessoas que no meio do frenesi e da agitação vivem o tempo de modo especial.
O final do ano realmente é um tempo muito especial, inicia com o tempo do advento e a pedagogia da esperança, envolta em muita luz. Há certa correria e o desejo honesto de pensar em alguma lembrança às pessoas queridas, de pensar em projetos para o ano que vem.
É um tempo de muita Luz porque nos preparamos para acolher a Luz do mundo, Jesus Cristo. A Liturgia do primeiro domingo do advento já faz o convite: ‘Vamos subir ao monte do Senhor, à casa de Deus de Jacó, para que Ele nos mostre seus caminhos e nos ensine a cumprir seus preceitos’ (Is 2,3). E o Apóstolo Paulo nos convida a vestir as armas da Luz (Cf. Rm 13,12).
Poderemos subir ao monte do Senhor e vestir as armas da Luz participando das novenas de Natal em família, organizando um bonito presépio em nossa casa ou lugar de trabalho, participando da liturgia dominical e procurando o sacramento da confissão. No meio de tantas luzes vamos deixar-nos guiar pela luz do Senhor (Cf. Is. 2,5).
É um tempo de certa correria e com razão, porque a caridade tem pressa. Durante o ano as crises na família e na convivência foram enfrentadas, muitas vezes, de modo apressado e sem a coragem da paciência, da averiguação, do perdão recíproco, da reconciliação e até do sacrifício. Vamos correr e abraçar as pessoas de nosso convívio ou de nossa família que precisam de perdão ou que precisamos pedir perdão.  Diz o profeta: ‘não pegarão mais em armas uns contra os outros e não mais travarão combate’ (Is 2,4). É tempo de reconciliar.
É um tempo de pensar em alguma lembrança às pessoas queridas. Talvez os compromissos durante o ano tenham impedido de cultivar os laços familiares e este é o momento propício para retornar ao recanto da família sem a obrigação de levar pacotes. Levemos a ternura e, junto com nossos familiares, vamos fazer lembrança de quanto nos queremos bem e somos valiosos uns aos olhos dos outros e todos aos olhos de Deus. Diz o Eclesiástico: ‘Não te prives do bem de um dia, e não deixes perder nenhuma parcela de um bom desejo’ (Eclo 14,11).
É um tempo de pensar em novos projetos e o Apóstolo Paulo nos convida: ‘vós sabeis em que tempo estamos, já é hora de despertar’ (Rm 11,11) à luz de nossa opção vital por Jesus. Nos projetos para o ano que vem Ele nos pede para assumir um estilo de vida inspirado na Sua Palavra. É necessário fazer uma reviravolta, um despertar, e rever os projetos desgarrados das mãos de Deus, distantes da Palavra.
Cremos Nele e sabemos que Jesus vem a nós e com Ele poderemos fazer um belo caminho de ternura na família, dedicação generosa, esforço por um ideal, porque a vida merece ser vivida inteiramente sob a Luz do Senhor.

Dom Sergio de Deus Borges

Bispo Auxiliar de São Paulo

Vigário Episcopal para a Região Sant’ Ana

 

13 de novembro – 15h
Estamos chegando à conclusão do Ano Santa da Misericórdia, que iniciou no dia 8 de dezembro de 2015, com a abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro. Nas Dioceses, em todo o mundo, a celebração de abertura da Porta Santa aconteceu no dia 13 de dezembro de 2015. Nós, na Região Episcopal Sant’Ana, naquele dia, realizamos a comovente peregrinação à Igreja de Sant’Ana e participamos da abertura da Porta Santa, reconhecendo com humildade que todos nós precisamos da Misericórdia do Senhor.

Durante o Ano Santo da Misericórdia, os membros das Paróquias, Comunidades, Movimentos e Pastorais tiveram a oportunidade de peregrinar no caminho da misericórdia, aproximando-se com confiança do Senhor, que é rico em misericórdia e derrama em abundância sua graça e seu amor sobre aqueles que a Ele recorrem com coração sincero.

A Igreja de Sant’Ana tornou-se um Santuário da Misericórdia com os plantões para as confissões. Deus mostra através do Sacramento da Confissão a riqueza da sua misericórdia. Poder confessar os pecados é um dom de Deus, é uma dádiva, é obra de Deus, disse o Papa Francisco. Com o auxílio dos sacerdotes, fomos tocados com ternura pelas mãos de Deus e abrimos o coração sem receio e sem medo, seguros de sermos acolhidos no coração transbordante de amor, que é próprio de nosso Deus e Senhor Jesus Cristo.

Também foram maravilhosas as peregrinações à Igreja de Sant’Ana, organizadas por Setores Pastorais. Quantas pessoas, na hora da Misericórdia, 15h, com sol ou chuva, entrando pela Porta Santa, suplicando ao Senhor, como o salmista: ‘Faze morada em meu coração aflito, liberta-me das minhas angústias. Presta atenção ao meu sofrimento e fadiga, e perdoa todos os meus pecados’(Sl 25). Na mesma peregrinação recebemos indulgência plenária para nós ou para algum parente, amigo ou familiar já falecido; é a misericórdia que se torna indulgência do Pai que, através da Igreja, alcança o pecador perdoado e o liberta de qualquer resíduo das consequências do pecado, fortalecendo-o para agir com caridade e a crescer no amor (Cf. MV. 23).

O Ano Santo da Misericórdia terá sua conclusão em nossa Região Episcopal no dia 13 de novembro próximo, às 15h, na Igreja de Sant’Ana. Todos nós, que percorremos o caminho espiritual da misericórdia, somos convidados a participar desta celebração para dar graças ao Senhor pelos benefícios espirituais deste ano jubilar. Será também um tempo para pedirmos, uma vez mais, que se manifeste o Amor misericordioso que está no Pai e que, por obra do Filho e do Espírito Santo, tal Amor se manifeste em nossas vidas e em nossas comunidades com sua presença, mais forte do que o mal, o pecado e a morte.

Venham participar conosco e vamos pedir juntos isto, por intercessão d’Aquela que não cessa de proclamar «a misericórdia, de geração em geração»; e também pela intercessão daqueles em que já se realizaram até ao fim as palavras do Sermão da Montanha, «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Cf. São João Paulo II, Dives in Misericordia, 15).

 

 

Dom Sergio de Deus Borges Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Sant’Ana​

 

 

 

Famílias missionárias
O estilo de vida atual, de forma geral, os horários de trabalho e o ritmo frenético que muitas famílias são obrigadas a adotar, no afã de ter melhores condições de vida, têm impedido uma presença mais constante dos pais junto aos filhos e prejudicado a sua belíssima missão como principais educadores dos filhos.
Este ritmo acelerado de viver de nossas famílias tem incidência sobre a educação para a fé dos filhos, que no pouco contato com os pais, no pouco tempo que passam juntos, não compartilham momentos de oração, de ação de graças. As crianças não veem os pais meditando a Palavra de Deus ou rezando diante de um pequeno quadro de Nossa Senhora ou do Senhor Jesus. São lares onde os pais não testemunham com a vida a fé que ainda está acesa e acalenta seus corações.

Mesmo no meio das dificuldades que a vida atual impõe, os pais não podem renunciar a ser luz no lar, na vida das crianças, dos filhos. A transmissão da fé pressupõe que os pais vivam a experiência real de confiar em Deus, de O procurar, de precisar d’Ele, porque só assim «cada geração contará à seguinte o louvor das obras [de Deus] e todos proclamarão as [Suas] proezas» (Sl 145/144, 4) e «o pai dará a conhecer aos seus filhos a [Sua] fidelidade» (Is 38, 19)” (Papa Francisco. Amoris Laetitia, 287).

Essa missão não está reservada para poucas e extraordinárias famílias. Nem isso quer dizer que as famílias, de alguma maneira, têm de deixar de ser como são e buscar uma espécie de perfeição impossível para testemunhar a fé. Neste processo de transmissão da fé, o Papa Francisco convida os pais a retomarem gestos simples que poderão fazer a diferença na vida de um filho e fazer da família uma família missionária, onde há espaço, lugar e tempo para cultivar a fé. Por exemplo: “é bonito quando as mães ensinam os filhos pequenos a enviar um beijo a Jesus ou a Nossa Senhora. Quanta ternura há nisto! Naquele momento, o coração das crianças transforma-se em lugar de oração” (Papa Francisco. Amoris Laetitia, 287).

Precisamos retornar às coisas simples no meio deste mundo complexo que nos deixa inseguros e recordar que o testemunho simples, mas convicto da fé dos pais, é o principal instrumento de Deus para o amadurecimento e desenvolvimento da fé dos filhos.
Quando a família abraça essa identidade missionária, torna-se aquilo para o qual sempre se pretendeu que fosse. Assimilada e aprofundada em família, a fé torna-se luz para iluminar todas as relações sociais. Como experiência da paternidade e da misericórdia de Deus, dilata-se depois em caminho fraterno (Lumen Fidei, 58).

            Dom Sérgio de Deus Borges

            Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Fez-se sempre assim!?

O Papa Francisco, quando publicou a Exortação Evangelii Gaudium, pediu a todos nós determinação e abertura de coração para uma profunda renovação na pastoral de toda a Igreja, a partir de nossas Comunidades paroquiais. Para iniciar o processo de renovação pastoral, ele pediu que abandonássemos um critério pastoral que utilizamos com frequência: “fez-se sempre assim” (EG 33). Quando permanecemos amarrados a este critério, a pastoral não caminha e impedimos que novas ideias possam trazer luz nos processos pastorais. Ao insistirmos que sempre se fez assim, sem percebermos, colamos dificuldades para que novos discípulos missionários possam integrar-se na Comunidade como novas sementes de trigo a vencer o joio. Pior ainda, podemos perder a esperança e a alegria de evangelizar, porque nos tornamos incapazes de perceber a ação do Espírito Santo no cotidiano da pastoral. Como sempre se fez assim, sempre é a mesma coisa, são sempre as mesmas reuniões, as mesmas palavras e vamos mantendo algumas atividades para cumprir com a obrigação, mas não vemos o Senhor agindo no meio de nós. Devemos agradecer as coisas bonitas que realizamos no passado, os belos encontros, as atividades nas mais diversas áreas de ação, as pessoas que se dedicaram nos projetos pastorais, mas não podemos pretender viver do passado, porque o grande Profeta Isaías alertou o povo de Israel sobre este perigo e nos alerta: “Não fiqueis a lembrar coisas passadas, não vos preocupeis com acontecimentos antigos. Eis que farei uma coisa nova, ela já está despontando: não a percebeis?” (Is 43,18). Fixar o pensamento, o coração e os olhos no passado nos impede de perceber a ação do Deus vivo hoje, impede-nos ver que agora em nossa Comunidade paroquial Jesus realiza maravilhas ainda maiores que no passado. Precisamos adotar um novo critério pastoral que nos dê audácia, alegria e renove a pastoral, nos abra a novos caminhos de evangelização: a pastoral missionária de integrar. O critério da pastoral missionária de integração nos tornará criativos, nos dará vigor para repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos de evangelização de nossas Comunidades e nos abrirá os olhos para ver o Deus presente, o Deus que salva e está ao nosso lado na missão. Integrar a todos que estão a caminho e no caminho está na base do Evangelho: todos nós temos necessidade de misericórdia. (Mc 10,46-52). Não percebeis a necessidade de mudar o critério pastoral? Para auxiliar a todos nós, termino com as palavras do Papa Francisco na Exortação Amoris Laetitia: “Tratase de integrar a todos, deve-se ajudar cada um a encontrar a sua própria maneira de participar na comunidade eclesial, para que se sinta objeto duma misericórdia «imerecida, incondicional e gratuita». Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho! Não me refiro só aos divorciados que vivem numa nova união, mas a todos seja qual for a situação em que se encontrem” (AL 297).

Dom Sergio de Deus Borges Bispo Auxiliar de São Paulo
Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

Igreja é uma vocação
Nas proximidades do mês de agosto costumamos dar mais atenção à reflexão sobre o tema vocacional. Para não fugir da regra, quero tratar deste tema, porém aproveitando uma perspectiva apresentada pelo Beato Paulo VI na audiência geral, de 17 de novembro de 1971, quando ele tratava do tema Igreja.

Escolheu como tema da audiência geral “A Igreja é uma vocação”.  Aqui, apresento uma síntese dessa belíssima catequese que nos leva a essência do ser Igreja, assembleia de convocados, vocacionados.
Na ocasião, perguntava o Beato Paulo VI: ‘Que significa Igreja? A curiosidade despertada por esta pergunta refere-se, agora, à etimologia da palavra: Igreja, na linguagem bíblica, significa uma assembleia convocada, de caráter religioso.

É este o seu significado desde o Antigo Testamento. Cristo tornou Seu este vocábulo e atribuiu-lhe um sentido próprio: «a Minha Igreja» (Mt 16, 18)’.
O Santo Padre comentou com simplicidade, naquela ocasião, que a Igreja nasceu de uma vocação, de uma vocação divina e as comunidades presentes no Novo Testamento tinham clara compreensão de terem sido chamadas: ‘Comecemos pelos Apóstolos’, dizia ele. ‘Foi Jesus quem os reuniu, chamando cada um deles: «Vinde após Mim» (Mt 4, 19-22; cfr. 9, 9; Jo 21, 19). Não se associaram por iniciativa própria; foram escolhidos pelo próprio Cristo, que um dia lhes disse: «Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi…» (Jo 15, 16 ss.; Lc 6, 13). São Paulo usa frequentemente este conceito de vocação, como um conceito constitutivo da Igreja primitiva (cfr. Rom 8, 30; Gál 1, 6; 1 Tess 2, 12; etc.). E o mesmo faz São Pedro (cfr. 1 Ped 1, 15; 2, 9; 5, 10; 2 Ped 1, 3)’.

A consciência vocacional da Igreja gera vida de comunidade: ‘As pessoas que a acolhem são convocadas, juntamente com outras, também fiéis, e formam imediatamente uma comunidade, a Igreja, a sociedade dos «chamados a ser de Jesus Cristo» (Rom 1, 6). Quem foi chamado não permanece só, isolado, autônomo, mas é inserido, «ipso facto», como membro de um corpo, o Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja (cfr. Col 2, 19; 3, 15; Ef 4, 6)’.

Na Igreja, insiste o Beato Paulo VI, as pessoas encontram o sentido da vida, o porquê viver; ela dá uma finalidade e um mérito à vida: o Reino dos Céus. Por este motivo, é a geradora das vocações, e, podemos dizer, o “lugar” para as pessoas que andam à procura de uma finalidade pela qual valha a pena viver, buscar, amar, agir, sofrer e morrer.

No entanto, muitos homens e as mulheres de nosso tempo não ouvem a voz de Cristo, não buscam a Comunidade, não se sentem convocados, e, infelizmente, não encontram o sentido para sua vida e o lamento de Jesus continua: «Se neste dia tivesses conhecido, tu também, O que te pode trazer a paz! Mas isto ficou oculto aos teus olhos» (Lc 19, 42).
Como Igreja, assembleia de vocacionados, cabe a nós hoje, em nome de Cristo, formar uma cultura vocacional no ambiente em que vivemos, porque todos são convocados e precisam ouvir claramente a voz do Pastor e da Igreja, o mesmo convite doce e decisivo: vem!

 

Dom Sérgio de Deus Borges

Bispo Auxiliar de São Paulo e Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

 

 

 

Missionários da misericórdia

 

Conta o Santo Evangelho de São Marcos que havia na região dos Gerasenos um homem possuído por um espírito impuro que machucava a si mesmo e aos outros e ninguém conseguia dominá-lo. Este homem foi ao encontro de Jesus que passava por aquela região e foi libertado de todo o mau (Mc 5,1-20). O encontro com o Deus misericordioso mudou toda a sua vida.

Em gratidão pela nova vida, recebida gratuitamente de Jesus, este homem O seguia. É a experiência de ser amado, de saborear a amizade do Senhor e o desejo de corresponder tamanha ternura e bondade. Jesus compreendeu seu coração e suas intenções e lhe deu uma missão:  ‘Vá para tua casa, para os seus, e lhes anuncie tudo o que o Senhor fez para você, e como teve misericórdia de você’ (Mc 5,19).

A possibilidade de encontrar a misericórdia não pode ficar escondida, a misericórdia precisa ser anunciada, conhecida. O Papa Francisco ensina que ‘a missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou um ornamento que posso pôr de lado; não é um apêndice ou um momento entre tantos outros da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser, se não me quero destruir…. É preciso considerarmo-nos como que marcados a fogo por esta missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar” (EG 273).

Assim, o homem de endemoniado, no encontro com a misericórdia e livre, tornou-se missionário da misericórdia. É o princípio fundamental da Palavra na vida do batizado: imitador de Cristo (Ef 5,1), imitador da misericórdia. “Ele partiu e começou a anunciar na Decápolis o quanto Jesus tinha feito por ele. E todos ficavam maravilhados” (Mc 5,20). Ele passou a imitar o Senhor anunciando a mais bela notícia: o Deus misericordioso existe.

Com Jesus ele descobriu que era uma missão nesta terra e para isto foi liberto, para assumir sua mais pura realidade, o mais profundo do seu ser, o encontro consigo mesmo: imagem e semelhança de Deus. “O verdadeiro missionário, que não deixa jamais de ser discípulo, sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária” (EG 266).

Os frutos da missão, em nome de Jesus, são relatados por São Marcos: “E todos ficavam maravilhados” (Mc 5,20). O anúncio corajoso da misericórdia enchia de alegria o coração daqueles que o ouviam e acalenta o nosso coração hoje, porque a misericórdia é uma das maiores necessidades de nosso tempo.

Se lá o Senhor Jesus enviou o homem de Gerara – vá e anuncie que o Senhor teve misericórdia de ti – hoje, nós somos enviados como missionários da misericórdia de Deus.  O chamado dirige-se a nós, pessoalmente ou através da comunidade paroquial, nas pastorais, movimentos e serviços para sermos a voz que anuncia e o sinal transbordante e interpelador da misericórdia de Deus e, assim, “possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de nós” (MV 5).

Dom Sergio de Deus Borges

Bispo Auxiliar de São Paulo

Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

O dízimo e as obras de misericórdia
Visitando uma comunidade e falando sobre as obras de misericórdia materiais e espirituais fui interpelado por uma senhora, membro atuante da comunidade e com forte senso de corresponsabilidade eclesial. Ela testemunhou que é uma dizimista fiel na comunidade, mas não se dedicava às obras de misericórdia. Essas palavras da senhora levaram-me a perguntar aos membros da referida comunidade quais eram as obras de misericórdia e se havia relação entre o dízimo e a misericórdia.
A resposta da maioria dos membros da comunidade é que não há relação entre dízimo e misericórdia. Uma coisa é o dízimo e outra são as obras de misericórdia. Para iluminar a reflexão pedi que olhássemos, a partir da Palavra de Deus, a experiência do dízimo e sugeri a leitura do Deuteronômio: “A cada três anos tomarás o dízimo de tua colheita no terceiro ano e o colocarás em tuas portas. Virá então o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva que vivem nas tuas cidades, e eles comerão e se saciarão. Deste modo o Senhor teu Deus te abençoará em todo o trabalho que a tua mão realizar” (Dt 14,28-29).
Ao ouvirem o texto, os membros da comunidade começaram a elencar o trabalho realizado pela comunidade em favor dos mais pobres, dos doentes, dos marginalizados. Também recordaram os cursos de formação, de orientação psicológica, auxílio espiritual e apareceram as obras de misericórdia que os membros da comunidade estavam realizando. Por fim, perguntei: De onde vêm os recursos para realizar todos estes trabalhos sociais e solidariedade para com os mais pobres? Foram unânimes em responder: De nossas campanhas de alimentos, roupas e do dízimo.
O piedoso Tobias, lá no Antigo Testamento, certa vez também testemunhou:  “O terceiro dízimo eu o entregava aos órfãos, às viúvas e aos prosélitos que viviam com os filhos de Israel” (Tb 1,6-8). Tobias, fiel dizimista, foi um homem que experimentou a misericórdia de Deus e através da contribuição do dízimo vive a misericórdia para com os demais. Aquele que experimenta o amor de Deus e sua presença ao seu lado se compromete com Ele oferecendo parte de sua vida e seus bens em favor das obras de Deus e dos irmãos mais necessitados.
Tobias fala de terceiro dízimo porque no Antigo Testamento o homem de fé oferecia seu dízimo para várias finalidades, chamados na época primeiro dízimo, dado aos sacerdotes, segundo dízimo, dado aos levitas, e o terceiro dízimo, dado aos pobres.  Atualmente, a Igreja nos ensina a contribuir com o dízimo que tem quatro finalidades: a manutenção do culto, dos ministros do culto, das obras de piedade e caridade (Cân. 222,1).
Continuamos a reflexão a partir da Palavra ouvida e vimos que ser dizimista é um estilo de vida que brota da fé, promove a fé e é marcado pela misericórdia aos excluídos, fundada em uma espiritualidade de comunhão. Faz parte desse estilo de vida levar o dízimo à comunidade eclesial para que a própria comunidade organize a distribuição dos recursos, conservando uma parte generosa dos mesmos para as obras de misericórdia em favor dos mais frágeis.
Por fim, foi uma alegria de todos verem que a comunidade eclesial com o nosso dízimo consegue: “Levar uma palavra e um gesto de consolação aos pobres, anunciar a libertação a quantos são prisioneiros das novas escravidões da sociedade contemporânea, devolver a vista a quem já não consegue ver porque vive curvado sobre si mesmo, e restituir dignidade àqueles que dela se viram privados. A pregação de Jesus torna-se novamente visível nas respostas de fé que o testemunho dos cristãos é chamado a dar. Acompanhem-nos as palavras do Apóstolo: « Quem pratica a misericórdia, faça-o com alegria » (Rm 12, 8) (Papa Francisco. Misericordiae Vultus, 16).

Dom Sérgio de Deus Borges
Bispo Auxiliar de São Paulo
Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

A oração, força de Deus em nós….

 

Estamos percorrendo o tempo da quaresma em direção à paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus, Sua Páscoa e nossa Páscoa. O tempo da quaresma é um tempo dedicado ao jejum, a caridade e a oração, como vimos na liturgia da quarta-feira de cinzas. Nesse tempo somos iluminados pela riqueza dos textos da liturgia, mas dois momentos da caminhada do Senhor, presentes na liturgia do primeiro domingo da quaresma e o outro na sagrada liturgia da Sexta-feira Santa, são testemunhos do vigor e do poder da oração no meio das tentações e das dificuldades da vida: os quarenta dias no deserto, onde o Senhor foi tentado pelo diabo, e a agonia do Senhor no Monte da Oliveiras, quando rezando suou sangue. Através da oração o Senhor Jesus reconheceu o dissimulado, o tentador, o mal disfarçado em proposta atraente de bem; na oração Ele derrotou Satanás e nos faz ver que a oração é a primeira e a principal arma para enfrentarmos vitoriosamente o combate contra o tentador, o mal e suas armadilhas. A oração, além da força e sustento para vencer o mal, é também caminho de purificação interior. E o tempo da quaresma é especial para se vivenciar esta dimensão da oração. O Papa emérito Bento XVI nos ensina este processo através de um ilustrativo exemplo tirado de Santo Agostinho: “Supõe que Deus queira encher-te de mel (símbolo da ternura de Deus e da sua bondade). Se tu, porém, estás cheio de vinagre, onde vais pôr o mel? » O vaso, ou seja o coração, deve primeiro ser dilatado e depois limpo: livre do vinagre e do seu sabor. Isto requer trabalho, faz sofrer, mas só assim se realiza o ajustamento àquilo para que somos destinados” (Spe Salvi, 33). A oração é o caminho que se apresenta para ‘dilatar’, abrir o coração, onde o fiel deixa-se tocar por Deus. É um trabalho lento que exige perseverança e firmeza mesmo quando é difícil rezar, falta concentração pela falta do hábito de rezar ou porque a oração é superficial, ou ainda porque o tentador oferece muitas distrações sugestivas, como o consumismo (o pão), o viver da aparência (poder) e a autossuficiência, (pensamento de viver sem Deus). Mesmo em meio às dificuldades para rezar, é preciso ter claro que não há outro caminho, não há outro método para a pessoa ser forte diante do tentador. Jesus foi forte e nesta quaresma continua nos convidando para retornar, para olhar o Seu exemplo de confiança no Pai e de vitória na oração. O tempo está correndo, a Páscoa vai chegar e não deixe passar o tempo em vão, com vinagre no coração. Nesse tempo que resta fortaleça seus joelhos em oração e peça ao Senhor, vivo, ressuscitado, que limpe o coração e o preencha com o mel de sua misericórdia e sua ternura.

Dom Sergio de Deus Borges, Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

 

 

 

 

A Quaresma no Ano Jubilar

Passando os dias acelerados e agitados do Carnaval, iniciaremos, em poucos dias, o tempo da Quaresma. ‘Quaresma lembra jejum e penitência. Mas Isaías diz que Deus não se alegra com uma cara abatida. Talvez devamos encarar a Quaresma sob outro ângulo: como treinamento da fé. Em que Deus acreditamos, afinal?’ (Konings, 367). Cremos em Sua Misericórdia? O Papa Francisco nos apresenta um ângulo para encarar a Quaresma: ‘A Quaresma deste Ano jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus’ (Misericordiae Vultus, 17). Esta experiência da misericórdia se estende a todo o Povo santo de Deus: leigos, religiosos, diáconos, sacerdotes e Bispos. A todos convida o Papa Francisco: ‘Este é o momento favorável para mudar de vida! Este é o tempo de se deixar tocar o coração. Diante do mal cometido, mesmo os crimes graves, é o momento de ouvir o pranto das pessoas inocentes espoliadas dos bens, da dignidade, dos afetos, da própria vida. Permanecer no caminho do mal é fonte apenas de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa. Deus não se cansa de estender a mão’ (Misericordiae Vultus, 19). Este é o tempo favorável em que Deus estende a mão, e nós com humildade devemos também estender as mãos em direção a Deus para que Ele possa nos libertar dos pecados ainda não perdoados e curar o nosso coração ferido pelo pecado e pela mágoa. Muitas vezes falta esta decisão de voltar para Deus e perde-se a alegria, perde-se a oportunidade de acolher a Sua Misericórdia. Existem pessoas que pensam que não são merecedores do perdão de Deus. São como o filho pródigo antes de voltar para casa do Pai. Que vida triste vivem as pessoas que pensam assim! Mas não é assim que pensa o Pai eterno, cheio de Misericórdia, porque ‘Deus desceu até nós na nossa mais profunda humilhação, a fim de nos elevar até Ele e de nos atrair ao seu coração’ (Kasper, 198). Não tenham medo de Deus, do confessionário, da confissão, porque no confessionário encontramos somente o Deus misericordioso que vem ao nosso encontro. O Papa Francisco insiste: ‘O Senhor está sempre disposto a ouvir, e eu também estou, como os meus irmãos Bispos e Sacerdotes’ (Misericordiae Vultus, 19). Aos Sacerdotes, Missionários da Misericórdia, pede o Papa um renovado esforço: ‘Os pastores, especialmente durante o tempo forte da Quaresma, sejam solícitos em convidar os fiéis a aproximar-se “do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e encontrar a graça” (Hb 4,16)’ (Misericordiae Vultus, 18). Durante a Quaresma todas as Paróquias deverão ter horários definidos para ouvir as pessoas no meio da semana, e não podem se contentar somente com o mutirão de confissões do Setor. Assim, a Quaresma será um tempo favorável, neste Ano Jubilar, para que tantos filhos e filhas afastados da Igreja de Cristo possam reencontrar o caminho para a casa paterna.

 

Dom Sergio de Deus Borges Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

 

 

 

 

 

A benção……
‘O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja benigno! O Senhor mostre para ti a sua face e te conceda a paz!’ (Nm 6,23-26). É muito bonito este texto do livro dos Números. Deus ensina a Moisés que seu ministério é um ministério de benção, ele e os sacerdotes deverão abençoar o povo.
Mas para o Pai eterno não foi suficiente ensinar a abençoar, Ele, movido pelo amor, nos enviou a sua maior benção: seu Filho. ‘Ele é pessoalmente a Bênção. Doando-nos Jesus, Deus ofereceu-nos tudo: o seu amor, a sua vida, a luz da verdade, o perdão dos pecados; ofereceu-nos a paz. Sim, Jesus Cristo é a nossa paz (cf. Ef 2, 14). Ele trouxe ao mundo a semente do amor e da paz, mais forte que a semente do ódio e da violência; mais forte porque o Nome de Jesus é superior a qualquer outro nome, contém todo o senhorio de Deus, como anunciara o profeta Miquéias: Mas tu, Bet-Ephrata,… é de ti que me há de sair aquele que governará… Ele permanecerá e apascentará o seu rebanho com a força do Senhor, e com a majestade do nome do Senhor, seu Deus… Ele próprio será a paz!’ (cf. 5, 1-4). (Bento XVI. 01.01.2011).
A Igreja está no mundo a serviço deste “mistério” de bênção em favor de toda a humanidade: ‘sobre ti levantar-se-á o Senhor, a sua glória te iluminará’ (Is 60, 2). ‘Isto implica ser o fermento de Deus no meio da humanidade; quer dizer anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo, que muitas vezes se sente perdido, necessitado de ter respostas que encorajem, deem esperança e novo vigor para o caminho.’ (Papa Francisco. Evangelii Gaudium, 114).
Com a Igreja somos abençoados por Deus, mas Ele quer que partilhemos a benção; o Pai eterno, em Jesus, envia-nos como uma benção para nossos familiares, amigos, pessoas com quem convivemos e encontramos. Vamos abençoar e jamais amaldiçoar. Nossa palavra de benção é capaz de mudar as coisas, de trazer esperança, encorajar, fortalecer os mais frágeis, se a fazemos portadora da benção de Deus. Se assim abençoamos… assim Deus abençoa.
Neste ano imitemos Jesus: sejamos uma benção para nossos irmãos.
Dom Sergio de Deus Borges

Bispo Auxiliar de São Paulo

Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

 

13 de dezembro, às 15h00…

Vendo que a multidão de pessoas que O seguia estava cansada e abatida, Jesus sentiu, no fundo do coração, uma intensa compaixão por elas (cf. Mt 9, 36). Com a sua palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa, Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus e, perante a gravidade do pecado, Ele responde com a plenitude do perdão.

Jesus colocou a misericórdia como um ideal de vida e como critério de credibilidade de nossa fé: ‘Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia’ (Mt 5,7). Inspirados pela bem-aventurança, somos provocados a olhar ao nosso lado para vermos quantas situações de sofrimento estão presentes no mundo atual. Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz, porque são poucos que estão dispostos a cuidar destas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas!

Precisamos da misericórdia e da compaixão para uma vida saudável e feliz. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado.

Para fixarmos o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz da misericórdia do Pai, o Papa Francisco proclamou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. O Jubileu iniciará no dia 08 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição, quando, na Basílica de São Pedro, em Roma, o Papa abrirá a Porta da Misericórdia.

Para experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e dá esperança haverá uma Porta da Misericórdia na Região Santana. Esta Porta será aberta na Igreja de Sant’Ana (Rua Voluntários da Pátria, 2060), no dia 13 de dezembro, às 15h00. Será uma belíssima celebração que terá início no Colégio Luiza de Marilac (Rua Voluntários da Pátria, 1.653), de onde sairemos em procissão até a Igreja de Sant’Ana.

Esta porta estará aberta durante todo o ano para peregrinação das paróquias da Região. Peregrinar será sinal de que a própria misericórdia é uma meta a alcançar, que exige empenho e sacrifício. Por isso, a peregrinação até a Igreja de Sant’Ana servirá de estímulo à conversão: ao atravessar a Porta Santa, seremos abraçados pela misericórdia de Deus e nos comprometeremos a ser misericordiosos com os outros como o Pai o é misericordioso conosco.

Venha participar conosco. Convide seus amigos e amigas, porque é o tempo favorável para contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação.

 

 

 

Dom Sergio de Deus Borges

Bispo Auxiliar de São Paulo

Vigário Episcopal para a Região Santana

 

A FAMÍLIA: CENTRO DA AÇÃO PASTORAL DA IGREJA ~
Dom Sergio de Deus Borges 
No dia 24 de outubro, encerrou-se a XIV Assembleia do Sínodo dos Bispos com o tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. O Papa Francisco e os membros do Sínodo olharam com realismo e profetismo para as famílias no mundo atual, iluminados pela Palavra de Deus, ouvindo a contribuição de especialistas em diversas áreas, a experiência de famílias que testemunharam seu cotidiano e a experiência pastoral de bispos, sacerdotes, diáconos, leigos e leigas dedicados com amor no acompanhamento das famílias em seus desafios e esperanças.
Este olhar da Igreja sobre a família é uma continuação do olhar de Deus naquele sexto dia, quando, após formar o mundo, criou o homem e a mulher e os colocou no centro da criação (Gn 1,27); é uma continuação do olhar de Deus pelas famílias que no afã de buscar a felicidade e viver o amor conjugal se feriram e estão condicionadas pelas estruturas de pecado (Gn 2,25-3,24).
São João Paulo II disse que estas estruturas de pecado (Familiaris Consortio n.9) macularam a vida da família fazendo com que a mesma perdesse a harmonia original: homem e mulher se criticam e se acusam mutuamente; a violência, o ciúme e a discórdia se insinuam no matrimônio e na família; sobrevêm a inveja e a discórdia entre irmãos, o fratricídio e a guerra entre irmãos (Gn 4,1-16).
No entanto, estas estruturas de pecado não têm a última palavra sobre a família, porque o próprio Deus no seu amor não abandonou a família. Após a queda, Deus se aproximou da família e a auxiliou na nova condição: ‘E o Senhor Deus fez para o homem e a mulher roupas de pele com as quais os vestiu’ (Gn 3,21).
O bom Jesus que nasceu e cresceu na família de Nazaré (Lc 2,51) e iniciou sua vida pública participando da celebração das bodas de Caná, e naquela festa de família realizou seu primeiro milagre, ensinou para os seus discípulos a centralidade da família no seu Reino e missão (Jo 2,1-12). A família teve lugar tão especial na vida de Jesus que Ele a enriqueceu com a graça especial do sacramento, para continuar auxiliando de modo permanente as famílias, como fizera em Caná.
Jesus defendeu a família e a Igreja tem a missão de defender e promover a família. Na mensagem final do Sínodo, o Papa Francisco disse: ‘o desafio que temos pela frente é sempre o mesmo: anunciar o Evangelho ao homem de hoje, defendendo a família de todos os ataques ideológicos e individualistas’.
Esta não é uma missão somente da Pastoral Familiar ou do ECC. Cabe a todos nós assumirmos o desafio e colocar o Evangelho da família nos projetos missionários, na catequese, na homilia, nas pastorais e serviços. Todas as estruturas das Comunidades devem apoiar, fortalecer e sustentar as famílias em sua vocação e missão. A família fortalecida é Boa Notícia para a sociedade.

 

 

 

 

O coração do discípulo
Missionário Jesus reunia, frequentemente, seus discípulos e os orientava sobre como viver a Palavra e ser fiel ao projeto de amor do Pai eterno. Havia muitos discípulos que O escutavam com alegria, mas nem todos tinham a intenção de transformar essa escuta em atitudes novas no seu viver cotidiano e no seu agir como discípulos missionários. Conhecendo tal ambiguidade no meio de Seus discípulos, Jesus oferece um critério de discernimento para definir quem está no caminho certo do discipulado missionário e quem precisa de forte conversão, utilizando estas palavras: “a boca fala daquilo que o coração está cheio” (Lc 6,45). Pela boca, pela palavra e pelas atitudes do discípulo missionário, vamos descobrir do que está cheio o seu coração. Pode ser que o coração esteja cheio de tristeza. Diz o Papa Francisco que “O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem” (EG 2). Da boca de um discípulo missionário com o coração mesquinho e comodista não ouvimos o anúncio de Jesus Cristo, mas o lamento e as desculpas para não nos dedicar à evangelização; quando convidamos para um ministério na Comunidade, ouvimos o não, ou o que é pior: há fiéis que trocam de paróquia para não se comprometer. E quando falamos de missão, escutamos com tristeza as mesmas frases: já fizemos isto há vinte, dez ou cinco anos e não obtivemos “resultado satisfatório”. Ouvimos essa frase inclusive de sacerdotes e diáconos. O coração já está cheio, não há lugar para uma resposta alegre ao amor de Deus que convoca continuamente para a missão. O Papa Francisco fala do grande tesouro da Igreja que são os discípulos que têm coração missionário: “É o batizado que se faz «fraco com os fracos (…) e tudo para todos» (1Cor 9, 22). Nunca se fecha, nunca se refugia nas próprias seguranças, nunca opta pela rigidez auto defensiva. Sabe que ele mesmo deve crescer na compreensão do Evangelho e no discernimento das sendas do Espírito; e assim não renuncia ao bem possível, ainda que corra o risco de sujar-se com a lama da estrada” (EG 45). São leigos e leigas, consagrados e consagradas, diáconos e sacerdotes, que falam da alegria de ter encontrado Jesus e como Jesus preencheu seu coração do amor de Deus. Assim, com o coração cheio de amor, transborda a Missão: falam de Jesus que nos perdoa porque nos ama; comprometem-se nas pastorais, movimentos e serviços; são catequistas que vão à procura das crianças para a catequese e não esperam na secretaria da Igreja, porque sabem da importância de sair ao encontro; são jovens que evangelizam outros jovens com alegria; levam o amor e a misericórdia de Deus nas ruas e casas, testemunhando que o pecado que tanto nos aflige pode ser vencido pelo perdão e pela misericórdia de Deus. Do coração missionário surge o compromisso com a missão, hoje: falar de Jesus com novas atitudes e novas maneiras, de forma criativa e entusiasmada, mesmo que tenhamos vivido experiências pastorais que pareceram infrutíferas no passado. Em seu coração e em sua ação a causa missionária se torna a primeira de todas as causas.

Dom Sérgio de Deus Borges
Bispo Auxiliar de São Paulo
Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

 

 

 

 

A familiaridade com a Palavra

O profeta Isaías, homem fortalecido pelo poder de Deus, nos ensina um programa de vida bem simples para manter a familiaridade na presença do Deus vivo e ouvi-Lo: “Toda manhã Ele desperta meus ouvidos para que, como bom discípulo, eu preste atenção. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos, e eu não fiquei revoltado, para trás não andei” (Is 50,4-5).
No programa do profeta, a atitude fundamental é a disponibilidade em escutar o Senhor. Toda manhã, Ele desperta meus ouvidos…. Toda manhã, o profeta se colocava na presença do Altíssimo para ouvir sua Palavra, para iluminar seu dia, porque ele conhecia o poder e a força vivificante da Palavra de Deus. O encontro com o Deus vivo não era ocasional nem ocorria somente nos momentos mais importantes da vida, mas era um encontro diário: toda manhã.
A familiaridade com a Palavra de Deus não nasce do acaso ou do simples desejo; é uma moção do Espírito Santo que nos anima e nos abre o coração e os olhos em direção à Palavra. E o Espírito Santo age no coração de todos, porque Deus quer salvar a todos, quer iluminar todos os homens e mulheres com a beleza de Sua Palavra. Então por que alguns têm facilidade com a Palavra e outros não? Por que existem pessoas que sentem a vontade de ler e meditar a Palavra de Deus, mas não conseguem?
A familiaridade com a Palavra nasce da graça e do domínio da vontade, porque o Espírito Santo está animando a pessoa e Deus quer lhe falar no íntimo do coração, mas a falta de costume em parar e escutar o Senhor impede o diálogo através da Palavra. Da parte de Deus está tudo certo: Ele quer falar, mas nós, no caminho do diálogo, precisamos rezar, pedindo a Deus a graça de escuta-Lo, através do treino do ouvido, da educação do corpo e da vontade.
O bom hábito (de toda manhã ou toda noite) é questão de treino, de persistência e de sã teimosia. Precisamos ter claro que, mesmo quando nossa mente está longe e o corpo reclame por outras atividades (aparentemente mais interessantes), devemos permanecer na atitude de escuta, com a Bíblia na mão e lendo, pausadamente, a Palavra do Senhor. A recompensa virá e, com o passar dos dias ou meses, poderemos dizer como Isaías: “O Senhor abriu-me os ouvidos”.
Como bons discípulos missionários, vamos aproveitar o mês de setembro, dedicado a Bíblia, e iniciar um caminho novo, de familiaridade com a Palavra de Deus, dedicando um tempo a cada dia para que o Senhor desperte nossos ouvidos. Graças à Palavra, se a meditarmos diariamente, entraremos na própria vida de Cristo à qual somos chamados a testemunhar ao nosso redor.

Dom Sérgio de Deus Borges
Bispo Auxiliar de São Paulo
Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

 

O que as pessoas falam sobre si mesmas……
No exercício da missão nas comunidades temos a alegria de conviver e dialogar com pessoas de todas as idades, com condições econômicas diferentes e com diferenciado acesso à cultura. Além disso, existe um modo próprio de cada uma viver e se relacionar com a Comunidade. Porém, as pessoas, em sua maioria, têm algo em comum quando falam de si mesmas: falam de seu trabalho e de suas atividades, poucas falam de sua missão, de sua vocação.
Até parece que a identidade da pessoa está relacionada essencialmente com o que ela faz. Esta mentalidade está profundamente arraigada na cultura desde há muito tempo. Nos Santos Evangelhos, quando Jesus retorna à sua terra, O identificam com a atividade exercida por São José: o filho do Carpinteiro. Do mesmo modo os Apóstolos, em sua maioria, inicialmente foram identificados com a atividade que exerciam: uns, pescadores; outro, cobrador de imposto, etc.
Identificar uma pessoa somente pela atividade exercida empobrece a nossa compreensão da mesma. Os interlocutores de Jesus ao identifica-Lo com a profissão de São José perderam uma grande oportunidade de conhecer o Senhor Jesus e a missão que Lhe foi confiada pelo Pai. Do mesmo modo, quando pensamos em nós mesmos somente a partir do que fazemos, também empobrecemos porque perdemos a capacidade de nos conhecer melhor, não conheceremos o pensamento de Deus sobre cada um de nós, e perdemos a consciência do chamado e a perda da consciência vocacional desvirtua a missão.
Identificar a pessoa pela missão a enobrece e nos enriquece. Depois do chamado e da convivência com o Senhor Jesus, num longo e árduo caminho, os Apóstolos foram descobrindo que Deus contava com Eles, Deus os chamava, em Cristo, à sua verdadeira missão, de pescadores de peixes a pescadores de homens – Apóstolos: “chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de apóstolos’ (Lc 6,13).
Esta descoberta foi um divisor de águas na vida dos doze: Eles se tornaram, por graça, Apóstolos de Jesus. É bonito ler os Atos dos Apóstolos e outros escritos e observar como os Apóstolos falam de si mesmos a partir da missão, que lhes deu a verdadeira identidade: Pedro, apóstolo de Jesus Cristo (1Pd 1,1); Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus (2Tm 1,1).
Como é bonito ouvir as pessoas que têm consciência da missão e falam de sua vocação ao matrimônio, falam de sua vocação ao sacerdócio, outras falam de sua vocação à vida consagrada, outras ainda de sua vocação política, educacional, etc. Como é bonito alguém dizer ‘eu sou um educador’, em vez de dizer ‘eu leciono’; como é bonito ouvir a pessoa dizer ‘eu sou um discípulo missionário’, em vez de dizer ‘ pois é, eu ajudo na Pastoral……’.
Vamos aproveitar o mês de agosto e falar menos do que fazemos e começar um bonito exercício de falar sobre nossa vocação, porque somente a consciência do chamado fará renascer em todos nós o encanto com a missão que o Senhor Jesus nos confiou.

Dom Sergio de Deus Borges
Bispo Auxiliar de São Paulo
Vigário Episcopal

 

 

 

 

 

 

É HORA DA FAMÍLIA

 

Quase todas as Paróquias e Comunidades celebram, com beleza e entusiasmo, a Semana da Família, que tem início sempre com o Dia dos Pais e termina no sábado seguinte. Mas algumas Paróquias e Comunidades, mesmo tendo pessoas de boa vontade, celebram a Semana da Família de maneira sofrível, apresentando, apenas, uma pequena mensagem no Dia dos Pais e, talvez, uma atividade durante a semana. O que ocorre? Por que algumas comunidades não conseguem preparar bem esta ação pastoral? Em primeiro lugar, devemos ter claro que, para preparar com esmero a Semana da Família, não é suficiente a boa vontade.

Em segundo lugar, é necessário que se observe qual o lugar do evangelho da família na catequese, na liturgia, na pregação dos sacerdotes, ou seja: será que a evangelização da família está no centro de atenções da Paróquia?

Em terceiro lugar, há subsídio adequado sobre a família para organizar a referida Semana? Caso sua Comunidade ou Paróquia esteja na situação acima descrita, não desanime. Temos ainda um mês e há tempo suficiente para dar um passo de qualidade no cuidado com a família.

Não organizem a Semana da Família somente para ter uma atividade, mas façam como quem acredita na família como ‘lugar’ onde se vive o amor, como espaço privilegiado a fim de ensinar as novas gerações a amar e serem amadas. Iniciando a preparação da Semana da Família com uma motivação alta à medida do próprio Deus, em Jesus Cristo, não faltará criatividade, compromisso genuíno, dedicação e ousadia.

Como exemplo, vejam como o Papa Francisco acredita na família: “É o lugar onde se aprende a amar, o centro natural da vida humana. É feita de rostos de pessoas que amam, dialogam, sacrificam-se pelos outros e defendem a vida, sobretudo a mais frágil e débil.

Sem exagerar, poder-se-ia dizer que a família é o motor do mundo e da história” (Papa Francisco. Aos participantes da Plenária do Pontifício Conselho da Família).

Além da motivação e da criatividade, devemos nos apoiar em subsídios adequados e atualizados. Nesse ponto, a Comissão Episcopal para a Vida e a Família nos ajuda muito, pois edita todos os anos a “Hora da Família”, com um tema específico sobre a evangelização da família e belíssimas sugestões de celebrações e encontros de estudo. A edição 2015 do “Hora da Família” propõe para reflexão “O amor é a nossa missão: a família plenamente viva”, e traz na capa do subsídio uma imagem do papa Francisco rodeado de crianças alegres com balões, celebrando a família.

O amor é a nossa missão; é, também, o tema do 8º Encontro Mundial das Famílias, que acontecerá em setembro nos Estados Unidos, com a presença do Papa Francisco.

A “Hora da família” está disponível nas livrarias, mas caso vocês não consigam encontrar, entrem em contato com a Cúria Regional ou com os Coordenadores da Pastoral Familiar da Região Episcopal, que nós estaremos à disposição para ajudar nesta bela missão em favor da família, porque o Amor é a nossa missão.

 

Dom Sergio de Deus Borges, Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

 

 

SE ME PERSEGUIRAM

Temos acompanhado, através dos meios de comunicação, a terrível tragédia de tantos irmãos nossos, cristãos, perseguidos e martirizados porque professam a fé em Jesus Cristo. O fato de homens e mulheres, discípulos missionários, terem sido assassinados porque cometeram o “delito” de amar, professar e anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado, foi e é uma constante na caminhada da Igreja.
Há outro martírio que acompanha a Igreja desde o seu nascimento e é muito próximo de nós que não tem como consequência imediata a morte do discípulo missionário, mas pode trazer o desalento e a perda do entusiasmo no anúncio da alegria do Evangelho e da participação na vida das Comunidades: o martírio da perseguição. Jesus já havia alertado seus discípulos sobre esta forma de martírio, quando disse: ‘O servo não é maior que o seu senhor. Se me perseguiram, perseguirão a vós também’ (Jo 15,20).
Sofrem deste martírio milhares de discípulos missionários cheios do Espírito Santo e do amor de Deus. Homens e mulheres, de todas as idades, membros das Comunidades, os quais são perseguidos no dia a dia porque simplesmente dizem que creem em Deus, participam de uma Comunidade de fé e trabalham na ação missionária da Igreja.
A perseguição que vem sorrateira e altamente venenosa apresenta-se de muitas maneiras: às vezes através da insistência de membros da família ou de amigos para que você deixe a missão e se dedique mais à família, aos próprios interesses para estar mais com os amigos (que amigos?); outras vezes, através de questionamentos perniciosos, como: o que você vai ganhar com isso? Ninguém pensa em você; e você, por que continua com essa atividade? Noutras ocasiões, se apresenta através da afronta, porque ao saber que você é católico de coração, participa ativamente da Igreja como pediu Jesus, critica abertamente a Igreja, as instituições das Comunidades e o seu modo de viver a fé, deixando sem palavras qualquer pessoa sensata.
O ódio do mundo e a perseguição, não significam a ausência de Deus; fazem parte da vida do discípulo missionário como fez parte da vida do Mestre. Nesta hora, é fundamental voltar os olhos e o coração para as palavras de Jesus: ‘se o mundo vos odeia, sabei que primeiro odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como ama o que é seu; mas, porque não sois do mundo, e porque eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos odeia’ (Jo 15,18-19).
O mundo nos odeia, logo vai continuar no combate contra a fé, contra o anúncio missionário e contra o seu trabalho na Comunidade, mas não sairá vitorioso. Em meio às pequenas ou grandes perseguições, dos de longe ou das pessoas próximas, mantenha o pé firme na Comunidade e na missão que lhe foi confiada, porque ‘Eles vão combater contra o Cordeiro, mas o Cordeiro, Senhor dos Senhores e Rei dos reis, os vencerá, e também serão vencedores os que com ele são chamados, eleitos, fiéis’ (Ap 17,14). 
Dom Sergio de Deus Borges

Bispo Auxiliar de São Paulo

Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

 

Eis a serva do Senhor!

A Virgem Maria, quando responde às palavras do Arcanjo Gabriel com o seu sim, sente necessidade de exprimir sua relação pessoal a respeito do dom que lhe foi revelado, dizendo: Eis a serva do Senhor (Lc 1,38).

A resposta da Virgem Maria – serva do Senhor – se inscreve na perspectiva integral da História da salvação e da relação da Mãe e do Filho. O profeta Isaías já havia anunciado o ‘servo do Senhor’: ‘Eis que meu servo prosperará, crescerá e se elevará, será sumamente exaltado’ (Is 52,13). Maria, mulher conhecedora e praticante da Palavra, acolhe a profecia e antecipa, na anunciação do arcanjo, o que o seu Filho dirá muitas vezes de si, especialmente no momento culminante de sua missão: ‘O próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida para resgatar a multidão’ (Mc 10, 45).

Com a alegre notícia da realização das profecias, a Virgem corre ao encontro de sua prima e se põe a serviço, sendo causa de espanto até para a própria Santa Isabel que exclama: ‘Como me é dado que venha a mim a mãe do meu Senhor?’ (Lc 1,43). Santa Isabel, iluminada pelo Espírito Santo, compreende a grandeza do amor de Deus que está se concretizando em Maria e tem a convicção de que é ela que deveria servir à Mãe de Deus, mas vê a Virgem Maria que vem ao seu encontro para ajudá-la em sua necessidade. São Lucas relata com serenidade este serviço da Mãe de Deus, dizendo: ‘Maria ficou com Isabel uns três meses e depois voltou para casa’ (Lc 1,56).

O assombro de Santa Isabel é semelhante ao assombro de São Pedro, quando o Senhor se põe a serviço dos Apóstolos, na última Ceia. Muitos ainda se espantam com tamanha simplicidade de Deus, de Seu Filho unigênito e da Virgem Santa. Mas esta é a lógica do novo Reino, é a lógica de Jesus. Acolher a Palavra, viver em união com o Filho que o Pai enviou ao mundo são atitudes que levam ao serviço aos irmãos e irmãs. Este serviço é parte do ser cristão, do ser discípulo missionário e devoto da Mãe de Deus, que é também nossa Mãe.

A iniciativa da Virgem foi um gesto de caridade autêntica, humilde e corajosa, movida pela fé na Palavra de Deus e pelo estímulo interior do Espírito Santo. Quem ama esquece-se a si mesmo e coloca-se ao serviço do próximo. Eis a imagem e o modelo da Igreja! (Papa Bento XVI).

Devotos da Virgem Mãe, discípulos missionários de Jesus Cristo como eu, aproveitando este mês dedicado especialmente a Nossa Senhora, vamos nos comprometer a verificar que tudo, na nossa vida pessoal, assim como nas atividades da comunidade, nas pastorais, movimentos e serviços, seja movido pela lógica do serviço ao Reino de Deus e aos irmãos e irmãs.

Fora desta lógica, o homem e a mulher, criados à imagem e semelhança de Deus, não poderão realizar-se. Vamos conversar menos e trabalhar mais, anunciando corajosamente a Palavra de Deus e auxiliando os mais frágeis de nossas comunidades, como fez a Mãe de Deus. É o grande serviço que podem e devem fazer os devotos de Nossa Senhora, Mãe e Rainha do Brasil e de nossas famílias.

Dom Sergio de Deus Borges

 

 

 

Ir ao encontro da família…..

O Senhor Jesus, no início de seu ministério, foi convidado para uma festa de casamento em Caná da Galiléia. A família que o havia convidado para a festa passou por uma séria dificuldade, porque o vinho que havia preparado para os convidados não foi suficiente. Na ocasião, por intercessão da Virgem Maria, o Senhor realizou o seu primeiro milagre, transformando água em vinho (Cf. Jo 2,1-12).

Há famílias que começaram com entusiasmo a vida comum, com projetos tão bonitos de uma vida feliz (tinham vinho), alimentadas nos valores e na fé, mas foram perdendo a alegria, foi acabando o vinho, porque deixaram de alimentar a vida na fé e na doação ao outro; deram ouvidos a outras propostas de vida que prometiam uma vida muito mais feliz, onde se apregoa que o mais importante é você ser feliz, sem pensar nos demais: amor sem compromisso, festa sem vinho (Cf. CANTALAMESSA, 612).

As consequências destas propostas são dolorosas: muitas famílias não têm vinho, vivem  sob a tristeza e o desgosto e não têm mais nada a oferecer aos filhos, a não ser a  desesperança e a angústia de uma vida vivida sem alegria, sem fé, de um matrimônio esfacelado, cheio de feridas, falta de compreensão e perdão; vivem juntos, mas cada um alimenta o seu egoísmo;  a luz da fé que outrora alimentava e sustentava a família, não brilha mais. No lugar do vinho têm somente jarras de água para si e para dar aos convidados: os filhos.

Jesus quer ir ao encontro dessas famílias para dar o Vinho Novo, porque jarras de água não são suficientes para um projeto autêntico de amor e de vida familiar. Ele mesmo nos deu o exemplo. Ele foi às Bodas de Caná, e quer que nós, discípulos missionários, saíamos em missão para levar de casa em casa o Vinho Novo, o Evangelho da Família.

É Páscoa, é o tempo oportuno de levar o Vinho Novo que nasce do madeiro ensangüentado da Cruz; é o tempo de seguir os passos do Mestre, valorizar a família, santuário da vida, motor do mundo, com ação missionária decidida e eficaz, que respeite o rico ensinamento da Igreja sobre a família e seja capaz de acolher na comunidade eclesial as famílias e as novas situações que estão se apresentando no atual contexto cultural.

Dom Sergio de Deus Borges

Bispo Auxiliar de São Paulo

Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

 

 

 

 

 

Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos……

 

Estamos dialogando nas paróquias e comunidades sobre a necessidade de renovar a paróquia para torná-la efetivamente missionária. Neste processo surgem muitas ideias, propostas e projetos. Todos são importantes, mas no processo de renovação paroquial precisamos pensar menos em estruturas e mais nas relações, nas pessoas.

Os bispos do Brasil, na última assembleia geral, afirmaram que ‘Quando se propõe renovar a paróquia em comunidade de comunidades, mais do que imaginar ou criar novas estruturas, trata-se de recuperar as relações interpessoais e de comunhão’ (CNBB. Doc. 100, n. 260).

Há muitas pastorais e movimentos que não dialogam; gastam energias vitais disputando quem tem mais força na paróquia, quem é mais importante e esquecem que a vida de comunidade não se faz brigando por cargos, mas se constrói no esforço comum em ser discípulo missionário de Jesus Cristo. ‘Algumas comunidades não conseguem ser missionárias justamente porque vivem de forma tão apática ou conflituosa em suas relações que mais afastam do que atraem novos membros’ (CNBB. Doc. 100. N. 259).

Estas palavras de nossos bispos encontram seu fundamento no Evangelho de São João, quando Nosso Senhor, na última ceia, colocou como distintivo da comunidade dos discípulos o relacionamento fraterno: ‘Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos se tiverdes amor uns pelos outros’ (Jo 13,34-35).

No processo de formação de uma comunidade missionária precisamos levar muito a sério o relacionamento fraterno. É necessário superar a inveja, a fofoca e os interesses pessoais para nos tornarmos verdadeiros discípulos missionários.    A vivência do amor fraterno, a amizade cultivada entre os membros de uma comunidade e a caridade com todos os que dela se aproximam estão no fundamento, na base, de uma comunidade missionária.

Caso queiramos construir de verdade comunidade missionária, precisamos rever o relacionamento humano e construir uma comunidade acolhedora. É certo e seguro que testemunhando o amor fraterno a paróquia será missionária.

 

Dom Sérgio de Deus Borges

Bispo auxiliar de São Paulo

Vigário episcopal para a Região Santana

 

 

 

 

 

 

 

Projeto 2015

 

Quando pensamos no início de um novo ano, nos vêm à mente muitos projetos e sonhos que queremos colocar em prática durante o ano. São bonitos projetos em relação à vida familiar, cultural, profissional, comunitária e na vivência da fé. Fazemos nossos planos e queremos conduzi-los à nossa maneira, com nossas capacidades e uma ‘ajudinha’ do Céu.

Mas será que neste ano não seria bom pararmos diante da Palavra de Deus, do Santíssimo Sacramento ou do Cristo Crucificado para refletir sobre o plano que Deus faz para cada um de nós? Como Ele nos quer ver neste ano? A catequese do Papa Francisco, do dia 19 de novembro, pode apresentar algumas luzes em nosso caminho e nos projetos pessoais e familiares que temos para 2015.

O Papa recorda em primeiro lugar o grande projeto de Deus para cada um de nós, segundo às palavras do Apóstolo: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Tes 4,3). Este é o projeto de Deus para mim e para você.

Depois ele ensina quem pode ser santo: ‘Para ser santo não é preciso ser bispo, sacerdote ou religioso: não, todos somos chamados a ser santos! Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade só esta reservada àqueles que têm a possibilidade de se desapegar dos afazeres normais, para se dedicar exclusivamente à oração. Mas não é assim! Alguns pensam que a santidade é fechar os olhos e fazer cara de santinho! Não, a santidade não é isto! Aliás, somos chamados a tornar-nos santos precisamente vivendo com amor e oferecendo o testemunho cristão nas ocupações diárias. E cada qual nas condições e situações de vida em que se encontra’.

Mas como ser santo nas ocupações diárias? Papa Francisco ensina: ‘És casado? Sê santo amando e cuidando do teu marido, da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És batizado solteiro? Sê santo cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho e oferecendo o teu tempo ao serviço dos irmãos. És pai, avô? Sê santo, ensinando com paixão aos filhos ou aos netos a conhecer e a seguir Jesus Cristo. E é necessária tanta paciência para isto, para ser um bom pai, um bom avô, uma boa mãe, uma boa avó; é necessária tanta paciência, e é nesta paciência que chega a santidade: exercendo a paciência! És catequista, educador, voluntário? Sê santo tornando-te sinal visível do amor de Deus e da sua presença ao nosso lado’.

Deus nos ama e tem um alto projeto para cada um de nós. Vamos sonhar alto neste ano de 2015, porque na condição de vida de cada um de nós foi aberto o caminho rumo à santidade e é Deus quem nos dá a graça de percorrer este caminho, de sonhar com os sonhos de Deus.

Dom Sérgio de Deus Borges

Bispo Auxiliar de São Paulo

Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

 

 

 

 

A Luz Brilha…

 

Caminhando pelas ruas da cidade já vemos, no comércio e em alguns edifícios, símbolos do NATAL. E, á medida que nos aproximamos do NATAL, vamos percebendo gradativamente uma explosão de luz e beleza em todos os recantos da cidade, na periferia e no centro, que nos levam diretamente ao prólogo do Evangelho de São João: ‘E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la’ (Jo 1,5).

Quando parece que estamos sendo dominados pelas trevas de um ano perdido, projetos não concretizados como queríamos, cansados pelo trabalho, pelas dificuldades da família e pela correria que o atual ritmo de vida nos impõe, nos deparamos com a Luz que vence as trevas e sentimos como que uma mão estendida a nos dar novo vigor.

Quando estamos desanimados pelo caminho pastoral percorrido porque achamos que fizemos tão pouco ou que as pessoas não estão acolhendo a mensagem e somos tentados pelas trevas a fazer aquela triste promessa – ‘este é o meu último ano de dedicação pastoral, vou fazer como muitos, vou somente participar da santa Missa’ – nos encontramos com a Luz que ilumina a partir de gruta de Belém.

E experimentamos em nosso cotidiano como a Palavra de Deus é eficaz, realiza o que promete, é atual, porque as trevas interiores e exteriores, neste ano não conseguiram dominar a Luz (Jo 1,5). Jesus, a Luz do mundo, continua vencendo e será sempre vitorioso.

E somos convidados, neste tempo que antecede o Natal, a voltar nossos olhos pra a gruta de Belém, onde podemos fixar o olhar interior em Cristo e receber as graças que fortalecerão nossa caminhada.

Um caminho espiritual para fixar os olhos na gruta de Belém é a montagem do presépio na casa e na igreja. Em torno do presépio poderemos saborear em família a Luz que nos dá de braços abertos o Menino Jesus. ‘Aquele Menino que nos recorda que os olhos de Deus estão abertos para o mundo e para cada homem (cf. Zc 12, 4). Os olhos de Deus estão abertos para nós porque Ele é fiel ao seu amor’. (Bento XVI).

Assim, a Luz que tem origem na gruta de Belém poderá nos guiar para metas de paz e prosperidade, nos fará levantar a cabeça para retomarmos com entusiasmo o caminho pastoral e a missão na família, porque esta Luz foi acesa em nosso coração e continuará a brilhar mesmo quando a luz dos edifícios e das praças se apagarem.

 

Dom Sérgio de Deus Borges

Bispo Auxiliar de São Paulo

Vigário Episcopal para a Região Santana

 

 

 

 

Polo missionário…

O Papa Francisco nos chama a fazer da paróquia um ‘polo missionário’, porque a Paróquia é a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e filhas, o âmbito eclesial que garante o anúncio do Evangelho, a caridade generosa e a celebração litúrgica. Como ‘polo’, a Paróquia tem dois movimentos principais: atrair e impulsionar.

Para que uma Paróquia se torne um polo de atração para as pessoas, devemos fundamentar na oração e na contemplação todas as atividades que nos propusemos a realizar, com a ajuda de Deus e em Seu nome. São João Paulo II assevera que: ‘O nosso tempo é vivido em contínuo movimento que muitas vezes chega à agitação, caindo-se facilmente no risco de ‘fazer por fazer’. Há que resistir a esta tentação, procurando o ‘ser’ acima do ‘fazer’. A tal propósito, recordemos a censura de Jesus a Marta: “Andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária” (Lc 10,41-42) (NMI, 15).

O ‘doce jugo’ da oração e da contemplação vivido na fé e na comunidade fará suscitar em nós um dinamismo novo, o qual nos levará a investir em iniciativas missionárias o entusiasmo que sentimos. É o segundo movimento do ‘polo’: impulsionar a missão, olhar para frente.

“O próprio Jesus nos adverte: ‘Quem, depois de deitar a mão ao arado, olha para trás, não é apto para o Reino de Deus’ (Lc 9,62). Na causa do Reino, não há tempo para olhar para trás, menos ainda para dar-se à preguiça. Há muito trabalho à nossa espera …” (NMI 15).

Parece que alguns querem olhar para trás, isto é querem manter tudo como está sem nenhuma renovação, sem abrir a porta aos outros, sem sair em missão. Até dizem: nossas pastorais e comunidades estão abertas, mas não vão ao encontro das pessoas e não suscitam a missão.

São João Paulo II disse que, agora, devemos olhar para a frente, temos de “fazer-nos ao largo” confiados na palavra de Cristo. Olhar para frente é, a partir da oração e da contemplação, suscitar e conservar no coração dos membros da comunidade o zelo pelo anúncio do Evangelho.

Olhar para frente é estimular a dimensão missionária dentro da própria paróquia, promovendo formação especifica para os membros das pastorais, movimentos, serviços e associações. Olhar para frente é realizar uma acolhida afetiva e efetiva de todos que encontrarmos e abrir o coração para o encontro com Jesus; é fazer discipulado a partir do encontro com Cristo Jesus.

A partir da oração e da contemplação, olhando para frente, seremos polo de missão e faremos de nossas Paróquias e Comunidades polos irradiadores do amor de Deus, em Cristo Jesus.

Bispo Dom Sérgio de Deus Borges, Bispo Auxiliar de São Paulo e Vigário Episcopal para a Região de Santana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A GRANDE META

São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil, realizou grande atividade missionária em nossa cidade e região, indo ao encontro de todos, porque a todos queria levar o Evangelho da Vida e da Salvação. Sua atividade missionária foi marcada por muitas dificuldades como podemos ler em sua carta ao Superior Geral:

‘Quase sem cessar, andamos visitando várias povoações, assim de índios como de portugueses, sem fazer caso das calmarias, chuvas ou grandes enchentes de rios e, muitas vezes de noite, por bosques mui escuros a socorrer os enfermos, não sem grande trabalho e fadiga (….). Mas nada é árduo para os que têm por fim somente a honra de Deus e a salvação das almas, pelas quais não duvidarão dar a vida’ (Carta ao Prepósito Geral, 1560).

A missão teve grande êxito e São José de Anchieta recebeu do Papa João Paulo II o título de Apóstolo do Brasil.  Qual o segredo de São José de Anchieta para realizar tão vultosa ação missionária?

São João Paulo II nos revela o segredo de São José de Anchieta: ‘O segredo deste homem era a sua fé: José de Anchieta era um homem de Deus. Como São Paulo, podia dizer: “Scio cui credici” (Sei em Quem acreditei… e estou seguro de que Ele tem o poder de guardar o meu depósito até aquele dia) (2Tm 1,12)’ (Homilia em São Paulo, 03.07.1980).

São José de Anchieta, homem de fé,  se concentrou no essencial em sua missão: ‘Salvar as almas para a glória de Deus: este era o objetivo de sua vida. Isto explica a prodigiosa atividade de Anchieta, ao buscar novas formas de atuação apostólica, que o levavam finalmente a fazer-se tudo para todos, pelo Evangelho; a fazer-se servo de todos a fim de ganhar o maior número possível para Cristo (cf. 1Cor 9, 19-22)’ (São João Paulo II. Homilia em São Paulo, 03.07.1980).

São José de Anchieta é um belo testemunho para  todos nós, discípulos missionários de hoje, colocados pelo Senhor Jesus  em São Paulo para continuar a obra iniciada por ele e seus companheiros. É um testemunho de que podemos e devemos evangelizar, sem nos deixar deter pelos desafios inerentes à missão. Quando nos fixamos somente nas dificuldades, esquecemos da meta e do objetivo de nossa vida, perdemos a motivação e a vitalidade.

Por isso que São José de Anchieta, após relatar as dificuldades na missão, recorda o objetivo central de sua vida:  ‘nada é árduo para os que têm por fim somente a honra de Deus e a salvação das almas, pelas quais não duvidarão dar a vida’.

O mês missionário, que hora celebramos, visa recordar a grande meta de nossa vida de discípulos missionários:  anunciar Jesus Cristo, para difundir o Evangelho. Preparar bem e celebrar este mês segundo as orientações das Pontifícias Obras Missionárias fará a diferença na animação missionária de toda a comunidade paroquial, porque colocará toda a comunidade em estado permanente de missão.

Discípulos missionários, olhem para a meta, para os grandes objetivos!

 

Dom Sérgio De Deus Borges, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Santana

 

 

 

 Testemunha de Jesus Cristo…!

 

No dia 02 de setembro, completei dois anos na missão em São Paulo como discípulo missionário, auxiliando Dom Odilo no pastoreio do Povo de Deus, preferencialmente na Região Episcopal Santana.

Por ocasião de minha vinda para São Paulo, Dom Odilo me presenteou com o 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo. Iniciei logo a leitura e, já nas primeiras páginas, encontrei uma pergunta que dá o norte de toda a nossa ação pastoral: “qual é o primeiro objetivo da presença da Igreja em São Paulo? Tantas poderiam ser as respostas, mas uma delas é a principal: A Igreja está aqui para ser testemunha de Jesus Cristo e do Evangelho do Reino de Deus na grande cidade de São Paulo” (11º Plano de Pastoral, p. 5).

Fiquei encantado com o texto, porque veio à mente o encontro de Jesus com os discípulos, por ocasião da sua gloriosa ascensão, quando Ele disse: ‘Recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas… até os confins da terra’ (At 1,8). Os Apóstolos fizeram desse mandato de Jesus o centro de todo o seu ministério e sua vida, razão pela qual São Paulo chega a dizer: “anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; pelo contrário, é uma necessidade que me foi imposta. Ai de mim se eu não evangelizar”.

O entusiasmo com o Plano de Pastoral não foi só de momento, mas permanece até agora porque tenho me esforçado juntamente com vocês, discípulos missionários, em ser testemunha de Jesus Cristo à luz das orientações e propostas pastorais contidas no Plano. O Senhor me chamou para cooperar na missão da Igreja em São Paulo para que a missão avance, segundo o caminho desta Igreja, sua história, sua tradição e os projetos de evangelização construídos à luz da fé, do diálogo e da participação ativa dos Pastores com os leigos e leigas.

Não pensei em nenhum momento em testemunhar Jesus à luz de outras propostas pastorais ou a partir de um projeto pessoal, porque ser testemunha de Jesus não é tarefa opcional, mas parte integrante da minha identidade cristã; é a extensão testemunhal da vocação recebida (Cf. DA 144).

Além disso, testemunhar Jesus Cristo à luz do Plano de Pastoral evita-se a dispersão de uma preciosa força missionária e faz com que o nosso testemunho seja mais credível, ganhe mais vigor e eficácia, seja mais pé no chão, capaz de iluminar a realidade paroquial, social e cultural em que vivemos.

Você, que também é chamado a ser testemunha de Jesus na Comunidade Paroquial, junte-se a nós e pense a pastoral, as atividades, a catequese, a liturgia, a formação à luz do nosso Plano de Pastoral. Vamos, juntos, construir uma ação pastoral forte para que a missão cresça e Jesus seja sempre mais amado e adorado.

 

Bispo Dom Sérgio de Deus Borges, Bispo Auxiliar de São Paulo e Vigário Episcopal para a Região de Santana 

 

                                                    Atos que brotam de fé!

O dízimo é um ato de fé e de ação de graças a Deus, Deus que é sumamente bom e digno de ser amado. Essa experiência está enraizada na fé de nossos primeiros pais, como podemos ver a partir da Bíblia Sagrada, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento.

O livro do Gênesis relata a primeira experiência do dízimo, acontecida em um ambiente de fé e de celebração: “Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho e, como sacerdote de Deus Altíssimo, abençoou Abrão, dizendo: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, Criador do céu e da terra. Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou teus inimigos em tuas mãos. E Abrão entregou-lhe o dízimo de tudo” (Gn 14,18-20).

O sentimento de gratidão à presença amorosa de Deus foi tão grande em  Abraão, que ele percebeu que sua experiência de fé não estava completa, pois faltava um modo de expressar todo o seu agradecimento ao Deus Altíssimo. Ele louvava, bendizia, celebrava, mas não era o suficiente. Ele queria ir além, mais a fundo na experiência de fé, porque sentia que era necessário louvar e bendizer a Deus com algo de si, com o fruto do seu trabalho, com o labor de suas mãos, e encontrou na experiência de entregar o dízimo a justa medida. Contribuir com o dízimo, para Abraão, não foi somente dar uma ajuda material para o culto, num ato que não envolve a fé e nem o coração; para ele, o dízimo foi, na verdade, um grande ato de fé no Deus Altíssimo que caminhou ao seu lado.

O Novo Testamento não apresenta o dízimo do mesmo modo como está organizado no Antigo Testamento, mas apresenta discípulos e discípulas que têm a mesma fé e a mesma atitude fundamental de ir além, de dar um passo a mais no caminho da fé e do seguimento do Senhor. Como exemplo dessa atitude, podemos tomar o relato do Evangelho de São Lucas: “Depois disso, Jesus percorria cidades e povoados, proclamando e anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele e, também, algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos maus e de doenças: Maria, chamada Madalena, de quem saíram sete demônios; Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Suzana e muitas outras mulheres, que os ajudavam com seus bens” (Lc 8,1-3).

Essas mulheres, agradecidas por tudo o que Jesus fez, glorificam a Deus seguindo o Mestre e Senhor, porque Ele é o dador de todos os dons e a fonte de todas as bênçãos, e colocam à disposição de Jesus e seus discípulos parte dos bens.

Abraão e essas mulheres têm muito a nos ensinar no caminho da fé, no seguimento de Jesus;  ensinam-nos que o dízimo nasce de um coração agradecido e de um ato de fé; ensinam-nos que a  fé fortalecida nos leva à maior gratidão a Deus, nos leva à experiência de entregar o dízimo, segundo a medida do coração.

Bispo Dom Sérgio de Deus Borges, Bispo Auxiliar de São Paulo e Vigário Episcopal para a região de Santana. 

 

…pecaríamos se não a adorássemos (Santo Agostinho)

 

O bom Jesus, certo dia, estava rodeado de uma multidão a quem ensinava. Ele aproveitou a ocasião para falar de um grande mistério de amor, a Eucaristia, e disse: ‘Eu sou o pão da vida’.  Essa verdade não agradou à multidão, por isso houve muita murmuração contra Jesus, até entre os discípulos(Cf. Jo 6,41-44); mas Jesus não esmoreceu e reafirmou diante de todos a grande  verdade e o grande presente de amor que estava nos doando, e continuou: ‘Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá para sempre. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo’ (Jo 6,51).

A Igreja, desde o início, compreendeu a profundidade dessas palavras de Jesus, a grandeza do Seu amor por nós, portanto professa, solenemente, que o pão e o vinho, pelas palavras de Cristo e pela invocação do Espírito Santo, se tornam o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo (Cf. CIgC 1333), o Pão Vivo descido do céu, que dá aos homens e mulheres a vida em abundância.

Eis porque a Igreja, sem cansar, nos convida a olhar continuamente para o Senhor, presente no sacramento do altar, através da participação da santa Missa e comunhão eucarística e, também, através da adoração eucarística fora da Missa: ‘ninguém coma esta carne, sem antes a adorar; (….) pecaríamos se não a adorássemos’ (Santo Agostinho).

O Papa Bento XVI disse que ‘A adoração eucarística é apenas o prolongamento visível da celebração eucarística, a qual, em si mesma, é o maior ato de adoração da Igreja: receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adoração d’Aquele que comungamos.  Precisamente assim, e apenas assim, é que nos tornamos um só com Ele e, de algum modo, saboreamos, antecipadamente, a beleza da liturgia celeste’ (SaC 66).

Neste mês de junho, em preparação à Festa de Corpus Christi, vamos organizar nas Comunidades uma SEMANA EUCARÍSTICA, onde os fiéis  terão tempo para se demorar em oração diante do sacramento do altar e onde as pastorais, movimentos e serviços poderão promover momentos de adoração comunitária.

  • Sejamos generosos! Vamos fazer uma semana e não apenas uma hora por dia de adoração, mesmo que haja murmurações e má vontade da parte de alguns. Queridos Pastores e Povo eleito, tenham fé, confiança e sejam ousados: Ele é o Pão Vivo e quer alimentar, dar vida aos que Lhe pertencem.

Os frutos serão abundantes na vida da comunidade, porque a adoração fora da Santa Missa prolonga e intensifica aquilo que se fez na própria celebração litúrgica. Com efeito, ‘somente na adoração pode maturar um acolhimento profundo e verdadeiro e amadurece também a missão social, que está encerrada na Eucaristia e deseja romper as barreiras não apenas entre o Senhor e nós mesmos, mas também, e sobretudo, as barreiras que nos separam uns dos outros’ (BENTO XVI, SaC 67).

 

Dom Sergio de Deus Borges, Bispo Auxiliar de São Paulo e Vigário Episcopal para a Região Santana

Avançar no caminho….

Dom Sergio mostra que o caminho de conversão gera a dimensão missionária, que é exigência impregnada pelo anseio e o compromisso de anunciar Jesus Cristo

 

O Papa Francisco, na Exortação Apostólica “A alegria do Evangelho”, pede que “todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necessários para avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão” (EG 25).

O Santo Padre, ao destacar que as comunidades se esforcem, está dizendo a todos nós que o caminho de conversão pastoral e missionário não é simples e fácil, mas exige determinação da vontade.

A determinação da vontade é fundamental para vencer a acomodação ao ambiente e aos projetos, porque muitas vezes nos contentamos em manter as coisas como estão, atendendo as pessoas que nos procuram e mantendo os projetos já em andamento, sem nenhum esforço de renovação. A acomodação não permite desabrochar no coração e nos olhos o entusiasmo e nos tornamos apenas administradores das comunidades, pastorais e movimentos. Isto se torna perceptível nas reuniões de planejamento do ano, onde apenas se marcam datas de eventos, atividades e reuniões, iguais às do ano interior.

O Papa Francisco disse que “neste momento, não nos serve uma ‘simples administração’” (EG 25), ou seja, este modo de fazer as coisas não pode continuar. É preciso conversão pastoral, é preciso esforço de cada um e de cada comunidade em renovar-se e, assim, gerar um caminho de renovação geral das comunidades.

O esforço que nos pede o Santo Padre está em abrir o coração e a mente para a Palavra que renova todas as coisas; o esforço para compreender as orientações da Igreja que nos indicam o caminho que devemos seguir no processo de conversão pastoral; o esforço para executar o plano de pastoral da Igreja local, nossa Arquidiocese; o esforço para viver em ‘estado permanente de missão’.

Para isso acontecer é imprescindível a determinação da vontade, ou seja, precisamos nos decidir pelo caminho apontado pelo Santo Padre e pelos Bispos. As comunidades precisam colocar-se em processo de leitura, acolhida dócil e realização das orientações pastorais que estão sendo geradas à luz da Palavra e da realidade em que vivemos. Somente assim percorreremos o caminho de conversão pastoral.

Esta conversão pastoral levará as comunidades e cada um de nós à missão, a fazer acontecer o projeto missionário de Jesus hoje. Mas não o faremos de qualquer modo ou conforme nosso modo de pensar; e, sim, seguindo as orientações do Santo Padre e do projeto de evangelização na Arquidiocese. A comunidade em caminho de conversão pastoral não deixará as coisas como estão, mas fará do 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese a orientação segura para avançar no processo de uma comunidade em estado permanente de missão.

O caminho de conversão gerará a consciência de que “a dimensão missionária não é, portanto, mais uma realidade a ser trabalhada, mas é a exigência que deve estar presente em tudo o que se faz. As iniciativas, preocupações e programas pastorais devem estar impregnados pelo anseio e o compromisso de anunciar Jesus Cristo” (11º Plano de Pastoral, 78).

Dom Sergio de Deus Borges, Bispo Auxiliar de São Paulo e Vigário Episcopal para a Região Santana

 

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Frequentem mais a igreja a casa de DEUS

O inimigo luta pra você deixar a cruz

Sem ela, ele sabe que você negou Jesus

O peso da tribulação não dá pra comparar

Com o peso da glória que o céu vai revelar